Viver de renda significa retirar dinheiro de um patrimônio investido sem que ele acabe antes de você. A taxa de retirada é a porcentagem do patrimônio que você saca por ano. Quanto menor a taxa, mais tempo o dinheiro dura e maior o patrimônio necessário para a mesma renda.
A conta
Patrimônio = renda mensal × 12 ÷ taxa de retirada
Para R$ 5.000 por mês com retirada de 4% ao ano: 5.000 × 12 ÷ 0,04 = R$ 1.500.000. Com 3%, o patrimônio sobe para R$ 2.000.000. Com 5%, cai para R$ 1.200.000, mas o risco de o dinheiro acabar aumenta.
De onde vêm os 4%
Nos anos 1990, o planejador financeiro William Bengen e, depois, três professores da Trinity University testaram taxas de retirada sobre décadas de retornos históricos de ações e títulos dos Estados Unidos. A conclusão que ficou conhecida: retirar 4% do patrimônio no primeiro ano e corrigir esse valor pela inflação nos anos seguintes fez a carteira durar ao menos 30 anos na grande maioria dos períodos estudados.
Por que não tomar os 4% como certeza
Os estudos usaram o mercado americano, uma carteira com parte relevante em ações e um horizonte de 30 anos. No Brasil, juros e inflação têm outro histórico, e quem pretende parar de trabalhar aos 45 anos precisa que o dinheiro dure bem mais que três décadas. Retornos ruins logo nos primeiros anos de retirada também pesam mais do que a média sugere. Por isso muitos planejadores trabalham com taxas entre 3% e 3,5% para horizontes longos.
A relação com a taxa real
Para que a renda acompanhe a inflação sem consumir o principal, o rendimento da carteira acima da inflação e depois dos impostos precisa ser pelo menos igual à taxa de retirada. Se os seus investimentos rendem 5% ao ano acima da inflação, líquidos, retirar 4% preserva o poder de compra do patrimônio. Se rendem 2%, retirar 4% reduz o patrimônio real ano após ano.
Simule o caminho até o patrimônio na calculadora de juros compostos ou veja o tempo até o primeiro milhão.